
Foram quatro as vezes que me levantei hoje de noite para ir à casa de banho descarregar. Estou com soltura! Acontece-me raramente como tal dou a devida importância quando o evento se realiza.
Cansado, pelo esforço e forçada entrega dispendidos – cagar cansa – faço a barba com lâmina nova, como sempre, e vou para o trabalho. Centro de Lisboa. Quando chego não vejo ninguém que era suposto ver, colegas. Calha bem… cheguei atrasado e ninguém me viu entrar, boa! Como sou um homem conectável multicanalmente, para alem dos emails carregados de newsletters que subscrevo para estar sempre update recebo um /uma SMS do meu chefe. Gosto de pensar nele como chefe quando estamos em clientes estatais… é uma questão de envolvimento cultural. A sua mensagem dizia tão simplesmente isto: “já estás no sana?”, uai!! O que é isto? Pensei eu. OK, é mesmo do meu chefe, directo ao assunto sem um “bom dia”, sucinto o rapaz. Deixa ver… - o Sana é um hotel. E o que é que eu haveria de estar a fazer num hotel àquela hora? (09:30h). Depois pensei: será que o/a SMS não era para mim? Humm, se calhar era para uma qualquer gata que ele esta a papar… mas aquela hora… logo pela manhã? Aí valente… e não dizias nada ao escravo, heim?.... Impossível… o chefe é fiel! Então, depois de algumas trocas de SMS esclareci-me. Era mesmo suposto eu estar no Hotel Sana àquela hora. Tinha-se marcado uma reunião da empresa que se iria realizar em varias salas, consoante a nossa área de carinho. Fui de Táxi para não perder tempo. Cheguei e perguntei: a minha empresa está em reunião onde? Resposta directa: piso menos 2 sala 8. Fui até lá e entrei. Não conhecia ninguém, mas no PPT exposto estava o “logo” da minha empresa. Senti-me confortável por isso. As dissertações dos oradores eram-me estranhíssimas. Mas muito interessantes… deixei-me estar, altamente atento ao conjunto de informações, declarações e masturbações dos oradores. Se sou um adepto convicto da minha entidade empregadora fiquei-o ainda mais. È incrível a quantidade de coisas que fazemos, com o grau de dificuldade e espectáculo com que fazemos e para quem fazemos. Sai dali ainda mais orgulhoso do meu número 10373131 da multinacional americana a que pertenço. Sem entender qualquer explicação de como fazíamos tudo aquilo, eu estava realmente absorto naquilo que fazíamos. Coffee-break e saio cheio de entusiasmo pelo que ouvi. Queria saber mais. Mas, quando saio, reparo na quantidade enorme de pessoas que estavam já cá fora e que me eram familiares. Tinham saído pela porta do lado – sala 9. A sala onde era suposto eu ter entrado e não entrei.
É incrível o que perdemos na vida por só entrarmos nas portas que conhecemos!